A sensação de grupos armados “dominando geral” é crescente em territórios populares de grandes cidades brasileiras. O cotidiano de muitos desses territórios é atravessado pela presença de indivíduos que usam a força, ou a sua ameaça, para fazer valer seus interesses econômicos. Mas, se até algumas décadas atrás, esses interesses se restringiam, sobretudo, aos circuitos dos mercados ilegais e informais, como o da droga e do contrabando, por exemplo, tem se tornado cada vez mais recorrente a expansão da presença de grupos armados sobre mercados que se estruturam diretamente em torno da produção e gestão do espaço urbano – seja aqueles em torno de serviços básicos, como água e luz, seja o mercado de terra e moradia. Tal presença acarreta em ainda mais camadas de precarização das condições de vida para moradoras e moradores de territórios controlados ou em disputa, que têm o seu cotidiano e as condições materiais que sustentam sua vida nas mãos de grupos armados. As milícias do Rio de Janeiro são, hoje, o caso mais paradigmático desse processo.