Cidades

Kely Moraes, o caso da vítima de transfobia sendo uma mulher cisgênera

Brune Herculane

Em uma manhã de segunda-feira (26/05/2025), Kely Moraes, uma mulher negra cisgênera e personal trainer, foi impedida de usar o banheiro de uma academia em Recife por um casal de transfóbicos, sob a alegação de que ela não seria “mulher de verdade”, entre outras declarações do tipo, como se Kely oferecesse algum risco às outras mulheres. Insinuações como essa possuem o intuito de transformar mulheres trans em algozes de mulheres cisgêneras. Não há uma pretensão de verdade e proteção, mas um reforço ao estigma contra pessoas trans. Com isso, os movimentos transfóbicos utilizam dos casos reais de violências sexuais que acometem as mulheres como sustentáculo para a expulsão de mulheres transgêneras dos banheiros e dos demais espaços que comumente são divididos por gênero. Em resumo, o que essas movimentações fazem é um fascismo cruel e coordenado: utilizam-se de uma situação real (os assédios e abusos sexuais) e a associam com um grupo específico (mulheres trans e travestis), desenhando um alvo em suas costas e colaborando para o extermínio dessa população.