Na prisão do MC Poze do Rodo, em maio deste ano, vimos as mídias e as polícias falando sobre combate à narcocultura. Mas o que é essa tal de narcocultura? É possível falar em uma narcocultura tipicamente brasileira ou carioca?
O prefixo “narco” vem sendo usado em uma série de neologismos como narcoestado, narconegócio, narcoimaginário, narcopentecostalismo, narcomilícia etc., que muitas vezes não apresentam uma definição clara, onde o “narco” se junta a outras palavras como forma de situá-las em outra categoria, mais grave e moralmente reprovável. Há uma “economia moral” que sustenta a existência de uma lei penal que criminaliza o pequeno varejista de drogas ilícitas, com a aprovação social, em razão da contaminação do debate pela lente da moralidade. Pelas vozes das mídias corporativas e das polícias, a narcocultura soa como mais um rótulo no amplo repertório das representações da violência e da “metáfora da guerra”, que se junta a vagabundos, bandidos, suspeitos, marginais e, mais recentemente, ao verbo “neutralizar” como eufemismo para matar.