Cidades

Pesquisas

Pesquisas

Linhas de Pesquisa

Compreender práticas estatais operando em territórios e sobre populações, por meio de instituições, agentes da administração pública e dispositivos de gestão. No mesmo sentido, interessam as práticas de resistências, resiliências e persistências protagonizadas por agentes (especialmente em situações de assimetrias sociais atravessadas por marcadores sociais de raça, classe, gênero, sexualidade, religião, regionalidade, nacionalidade), estejam eles organizados em coletivos políticos ou não.

Palavras-chave: Cidade; Desigualdades Sociais; Segregação sócio-espacial; Habitação.

Produzir projetos em articulação com iniciativas de coletivos, movimentos e ativistas que atuam na cidade e/ou a partir de redes transnacionais. Entendendo que tais atuações nos espaços públicos imprimem marcas específicas e interferem nas dinâmicas na cidade, voltamos nossa atenção para agendas de luta e formas de agenciamento que co-produzem espaços, rotinas e políticas.  Refletimos, também, sobre formatos possíveis de produção coletiva de conhecimento, memórias e demandas por direitos.

Palavras-chave: Agenciamentos; Coletivos; Identidades; Produção de Conhecimento; Memória.

Compreender a diversidade da gestão territorial à luz do conceito de militarização, compreendido como dispositivo – uma rede de práticas, valores, instituições, entre outros que produzem formas de governar populações e territórios. Para tanto, interessa-nos pesquisar fenômenos como grupos de controle armado diversos, suas formas de atuação e as interconexões entre a atuação de tais grupos, dinâmicas políticas, ações estatais e mercados legais e ilegais, a partir de abordagens interseccionais.

Palavras-chave: Violência Urbana; Segurança Pública; Militarização; Controle territorial armado.

Articular teorias e metodologias para compreender dinâmicas artísticas e culturais que se expressam no (e a partir do) espaço urbano. Analisar suportes enunciativos e como, através de elaborações estéticas e conceituais, agenciam, apresentam e fazem circular representações e imaginários. Abordar as artes enquanto linguagens que fabulam corporeidades, políticas, noções de pessoa, paisagens, territórios, memórias, patrimônios e mobilidades turísticas.

Palavras-chave: Cidade; Arte; Mídia; Memória; Corporalidades; Imagens

Pesquisas por linha

1. Desigualdades urbanas, segregação socioespacial e produção das cidades

Em andamento

O Rio de Janeiro tem experimentado mudanças no cenário da violência urbana nas duas últimas décadas, especialmente após o Projeto de “Pacificação” de Favelas e o crescimento das milícias. Pesquisas identificaram um aumento no número de regiões em disputa por grupos armados, incluindo áreas controladas por milícias, resultado de rupturas e novas alianças entre os grupos armados. Dessa forma, a maneira como esses grupos exercem seu controle territorial também se modificou, borrando as distinções existentes entre o tipo de gestão das milícias e das facções de traficantes, com diferentes agentes combinando práticas como venda de drogas ilícitas e confrontos armados e a cada vez mais frequente e disseminada prática de extorsão. Este projeto de pesquisa se propõe a investigar os efeitos dessas mudanças na vida dos moradores de favelas e em suas organizações, com particular atenção para as mulheres moradoras desses territórios, considerando que tais efeitos serão experimentados de forma diferenciada por esse grupo. Nosso objetivo é compreender suas estratégias para navegar a precariedade, contornando riscos e acionando redes de apoio e sobrevivência. A partir de uma etnografia nas favelas do bairro do Caju, localizado região central da cidade e sob controle armado de uma facção de tráfico de drogas, buscaremos compreender as dinâmicas de “cerco” impostas pelos grupos armados e seus impactos nas relações sociais e nas condições de vida dos moradores. A relevância deste projeto está em investigar as diversas precariedades a que estas populações estão submetidas por conta do controle armado de seus locais de moradia, ampliando o retrato que temos hoje de como são as condições de vida de parte da população carioca.

Coordenação: Lia Rocha

A região do Porto Maravilha, Rio de Janeiro, está sendo constituída pela Prefeitura do Rio, Governo Federal e parceiros privados como centro de um “ecossistema de inovação digital” (EID), com especial destaque o “Porto Maravalley”: um hub de educação superior em matemática aplicada e inovação digital que pretende alavancar a cidade como uma “capital da inovação”. O objetivo central é investigar os sentidos, as agências e os efeitos (esperados, inesperados e negligenciados) da construção desse EID (entre 2021 e 2026). Como objetivos específicos, pretendo analisar: a) construção e funcionamento do Porto Maravalley; b) entrelaçamentos, fricções e fluxos de capitais e agentes da economia digital dentro e a partir do Rio de Janeiro. A hipótese central é de que a chegada de “vanguardas sociotécnicas” e “nômades digitais” no Porto Maravilha permitirá a compreensão e a explicação de potencialidades, desafios e ineficácias para este projeto e para projetos semelhantes no país. Partindo de abordagens sociológicas e antropológicas (interdependências e configurações sociais, teoria ator-rede, antropologia das infraestruturas, sociologia das mobilidades), os métodos propostos são de pesquisa qualitativa (etnografia, entrevistas, pesquisas bibliográfica, documental e de notícias, coleta de dados secundários para construção de mapas e gráficos), com pressuposto de articulação entre pesquisa, disseminação de dados e incidência política baseada em grounded theory e phronetic social science. Ademais, a projeto prevê contribuição constante com o grupo de pesquisa Grupo MTTM – Mobilidades: Teoria, Temas e Métodos (USP) e com o PPGS-USP, incluindo pesquisa, docência, workshop e outras atividades de divulgação científica e extensão.

Coordenação: João Felipe Pereira Brito

A proposta visa compreender os impactos sociais da pandemia de Covid-19 em diferentes contextos e nas cinco regiões do país, a partir dos efeitos da pandemia sobre as populações em situação de vulnerabilidade, as estratégias locais de enfrentamento e as políticas públicas em saúde, educação e proteção social.

Coordenação: Paula Lacerda

Finalizadas

Este projeto investigou políticas públicas e investimentos privados que vinculavam produção do urbano e economia digital em Lisboa, Portugal. Analisei criticamente se estas políticas e investimentos promoveram ou negligenciaram a inclusão social de grupos subalternizados (mulheres, minorias étnicas e residentes de baixos rendimentos) na cidade, com especial interesse nas freguesias Beato e Marvila, zona ribeirinha oriental. A pesquisa buscou incidir politicamente sobre esses temas no momento de coleta e disseminação dos dados. Essas intervenções foram/são anunciadas como estímulos para “indústrias inovadoras e criativas”; para criação de uma “cidade aberta, empreendedora e referência mundial”; e a consolidação de Portugal como país “cosmopolita, aberto e inovador”. No entanto, ao mesmo tempo que foram/são eficazes na atração de investimentos e na ampliação do reconhecimento internacional de Lisboa como uma “capital europeia da inovação”, essas estratégias público-privadas de empreendedorismo, reabilitação e branding urbanos, vinculadas à ascendente economia digital, também reproduziram privilégios e hierarquias, e até mesmo reforçaram dinâmicas de segregação e desigualdade intraurbanas. A zona de Beato e Marvila ofereceu um ponto de vista privilegiado para a pesquisa especialmente pela construção do “Hub Criativo do Beato”, enorme infraestrutura que sintetiza as estratégias citadas.
Coordenação: João Felipe Pereira Brito
O objetivo mais geral desta pesquisa é a compreensão dos possíveis entrelaçamentos entre patrimônio, cultura, identidade, turismo e território, a partir da reflexão sobre o projeto de urbanização em curso na cidade do Rio de Janeiro, denominado Porto Maravilha. Interessa-me compreender também como a noção de patrimônio cultural pode se converter em um recurso poderoso tanto associado à noção de turismo quanto ao de plano urbanístico. A ideia norteadora e compreender as relações sociais, as negociações e os conflitos que estão em curso naquele território, em seus diferentes nexos, considerando-se o processo de revitalização em curso. Trata-se de apreender as dinâmicas sociais em um momento particularmente sensível no qual certas clivagens e configurações sociais tendem a se reordenar pela transformação que se opera no horizonte de vida dos moradores da região.
Coordenação: Sandra Maria Correa de Sá Carneiro
O objetivo mais geral desta pesquisa é refletir sobre os diferentes sentidos atribuídos às transformações que estão em curso a partir da implantação de uma proposta de intervenção urbana na cidade do Rio de Janeiro, denominada de Porto Maravilha. Isto tem tornado a região em um campo de disputas em que atuam diferentes atores sociais com perspectivas muito diferentes. A ideia norteadora e compreender as relações sociais, as negociações e os conflitos que estão em curso naquele território, em seus diferentes nexos, considerando-se o processo de revitalização em curso. Trata-se de apreender as dinâmicas sociais em um momento particularmente sensível no qual certas clivagens e configurações sociais tendem a se reordenar pela transformação que se opera no horizonte de vida dos moradores da região.
Coordenação: Sandra Maria Correa de Sá Carneiro
O objetivo mais geral desta pesquisa é discutir os possíveis entrelaçamentos entre turismo, religião e patrimônio, a partir da reflexão sobre a construção social do Caminho de Santiago e das novas rotas brasileiras de peregrinação que o têm como inspiração. Entendo que normalmente se recorre a um discurso onde estas três dimensões encontram-se imbricadas. Desta forma, a análise dos processos ocorridos e que vem ocorrendo tanto em Santiago como no Brasil, nos permite ilustrar, através de casos empíricos, o modo como a noção de patrimônio pode se converter em um recurso poderoso que tanto pode estar associado ao turismo como a religião. Sublinho que o que está em causa na discussão desta pesquisa não são nem a noção de patrimônio, nem a noção de turismo ou de religião, mas sim a análise dos processos através dos quais certas peregrinações adquirem um estatuto formal, ganham visibilidade e são turistificadas. Na estreita e ambígua relação que une estas três dimensões, sinalizamos para o fato de que as três vêm sendo recodificadas, ressignificadas e constituem-se como parte da metalinguagem das peregrinações modernas.
Coordenação: Sandra Maria Correa de Sá Carneiro
A pesquisa direciona sua análise para os efeitos dos processos de divisão social da cidade sobre a distribuição espacial das famílias e das formas de moradia na metrópole e na cidade do Rio de Janeiro. Em suas linhas mais gerais, o trabalho orienta-se pela ideia de que as desigualdades sociais expressam-se no espaço social, configurando situações de segmentação territorial e segregação residencial. Incorpora-se à análise a dimensão do território, visando a trazer uma reflexão que relacione a organização social do espaço urbano, família e moradia. Direcionando mais o foco, investiga-se a distribuição espacial dos tipos familiares (e suas respectivas características socioeconômicas) e das formas de moradia com base em dois recortes espaciais. O primeiro focaliza o espaço metropolitano (RMRJ); o espaço intrametropolitano (município do Rio de Janeiro, município de Niterói e demais municípios da RMRJ) e o espaço intraurbano (recortado segundo as Regiões Administrativas/ RAs de Copacabana, Tijuca, Barra da Tijuca e Campo Grande). O segundo recorte espacial ? inédito entre os pesquisadores da família e da moradia ?, classifica a cidade do Rio de Janeiro em duas áreas específicas: favela e não-favela. Tal desenho espacial visa abranger as diversas situações de desigualdade social inscritas no uso do espaço. Procura-se revelar tais espacializações concebendo-as como expressão das formas segregadas de apropriação do espaço urbano. As informações censitárias utilizadas têm como base um acervo de dados primários obtidos por meio de tabulações especiais e originários da amostra dos Censos Demográficos de 1980 e de 1991. No caso dos dados relativos a 2000, as informações são provenientes dos microdados amostrais do IBGE do Censo Demográfico 2000, que têm como referências geográficas intra-municipais as AEDs (Áreas de Ponderação). O mesmo procedimento deverá ser adotado para a análise do Censo Demográfico de 2010. No recorte espacial favela/ não-favela trabalha-se com as denomina.
Coordenação: Maria Josefina Sant’Anna

2. Movimentos, mobilizações e ativismos

Em andamento

A chacina da Candelária fica marcada na memória política e social do Rio de Janeiro pela crueldade cometida contra crianças e adolescentes na região central da cidade. Hélio e Cláudia Milito (1995) relatam que embora ocorressem linchamentos, desaparecimentos e outros tipos de crueldade com crianças em situação de rua naquele período, uma chacina na “porta de casa” era impossível de negar aos olhos do mundo. Todavia, nota-se que embora a população tenha, em um primeiro momento, se sensibilizado com a tragédia, havia quem concordasse com a atitude dos policiais. A primeira metade da década de 90 é bastante fecunda se tratando do florescimento de uma política de segurança mais repressiva e autoritária, principalmente direcionada aos subúrbios e favelas. O que será que as chacinas dos anos 90, especialmente praticadas contra menores de idade, podem nos dizer sobre a criminalização e o extermínio da juventude pobre do Rio de Janeiro? Teriam as operações policiais substituído às chacinas promovidas pelos grupos de extermínio?  “Cinco sementinhas nas ruas do Centro” fala sobre como determinadas categorias de referência podem ser agenciadas na justificativa para a criminalização e até mesmo, o extermínio.

Coordenação: Mariana Albert Ferreira

 

O objetivo mais amplo deste projeto é analisar as ações e práticas de grupos e coletivos culturais que atuam nos subúrbios e na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, visando refletir sobre suas dinâmicas, tanto as mais específicas operadas pelos grupos individualmente, quanto as de cunho mais coletivos, na medida em que formam redes sociais. A atenção recai também em perceber quais são os temas recorrentes nas narrativas desses grupos sobre a vida social naqueles territórios, bem como suas táticas e estratégias políticas na ressignificação dos subúrbios e lutas por reconhecimento. No caso do Rio de Janeiro, o protagonismo desses coletivos faz parte de um cenário recente, que desde cedo chama a atenção por sua vitalidade, ao incorporarem outras pautas ligadas aos campos da cultura e da identidade. É justamente por isso que entendo que estes coletivos podem ser considerados como uma das modalidades mais expressivas dos movimentos sociais contemporâneos.

Coordenação: Sandra Carneiro
O objetivo mais amplo deste projeto é pesquisar as ações e práticas de coletivos culturais que atuam na cidade do Rio de Janeiro. Entendo que estes coletivos podem ser considerados como uma das modalidades mais expressivas dos movimentos sociais contemporâneos. Parto da hipótese que a atuação desses grupos nos espaços públicos imprime uma nova dinâmica na cidade, ressignificando as identidades dos moradores por meio da positivação de seus locais de moradia. Estes coletivos podem ser entendidos como a organização de pessoas que lutam por interesses comuns e que reivindicam, principalmente, maior atenção do poder público face a precariedade de equipamentos culturais e de investimento público em cultura em determinados bairros da cidade do Rio de Janeiro. Para tanto, a partir de um mapeamento inicial, selecionei alguns coletivos que tem atuação mais expressiva nos subúrbios do Rio de Janeiro e que utilizam a categoria suburbano como marcador social. A ideia norteadora é mostrar como esses grupos fomentam formas de sociabilidade, reinventando esses locais a partir da realização dos diferentes eventos que promovem (rodas de choro, feira orgânica, produção de documentários, festas comemorativas de cunho religiosos ou não, etc.), procurando valorizar o sentimento de pertencimento a esses territórios e, sobretudo, romper com a forma estigmatizante com que esses espaços são representados.
Coordenação: Sandra Maria Correa de Sá Carneiro
Localizar, exumar e identificar remanescentes humanos, assim como rastrear ruínas e vestígios materiais que comprovem violações aos direitos humanos, tem adquirido relevância como medidas globalmente prescritas pela Justiça de Transição. Designado como giro forense, tal movimento assinala seu impacto no campo humanitário global e uma mudança de paradigma nas formas (até então ancoradas em fontes testemunhais) de produção de verdade, memória, justiça e reparação. O projeto visa analisar a conexão entre desaparecimento forçado e as ciências/técnicas forenses e as desigualdades que atravessam a produção de materialidades sobre a violência e os processos de inscrição política da verdade. Com base em pesquisa anterior voltada à análise das iniciativas de busca e identificação de desaparecidos da ditadura argentina e no atual acompanhamento de ativismos voltados à produção de dados e evidências de crimes cometidos por agentes estatais na democracia brasileira, a pesquisa dirige-se empiricamente às seguintes problematizações: os efeitos coloniais do humanitarismo forense sobre epistemologias e formas periféricas de se relacionar com a verdade e os mortos; o lugar da expertise de familiares de vítimas nos processos de busca, na apropriação de saberes técnicos e nas experiências práticas de produção de evidências; combinações locais entre ciência, religiosidades, direito, política e processos de busca; disputas em torno ao monopólio da verdade e do conhecimento, à fiabilidade das evidências forenses e a sua aceitação política, jurídica e social; formas de administração estatal dos mortos; a suposta proeminência de evidências materiais sobre o testemunho e a “mistificação” da verdade pela ciência.
Coordenação: Liliana Sanjurjo
A pesquisa tem como objetivo discutir a indenização financeira enquanto um instrumento possível para reparação de direitos violados, muitas vezes referidos – pelos próprios sujeitos envolvidos na posição de “vítimas” – como “sofrimentos”. A pesquisa parte de investigações anteriores acerca de redes de mobilização social em interface com setores da administração pública (polícia e justiça, particularmente), além de organizações não-governamentais e coletivos políticos estruturados, em boa parte das vezes, após experiências de sofrimento percebidas como tendo sido causadas, agravadas ou perpetuadas por setores da administração pública brasileira. Através de análise documental, trabalho de campo e entrevistas com sujeitos envolvidos na posição gestores públicos, vítimas ou seus mediadores, a pesquisa pretende desvelar os sentidos sociais das práticas da justiça que envolvem dinheiro em episódios nos quais a violação de direitos é vista como irreparável e inesquecível.
Coordenação: Paula Mendes Lacerda

Finalizadas

A pesquisa analisa os atuais acionamentos e produções interpretativas das trajetórias de vida e intelectual da psicanalista negra Neusa Santos Souza (1951-2008), com ênfase na importância atribuída ao seu livro Tornar-se negro: ou As vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social (1983/2021) e seus efeitos aos campos acadêmico e político. Com olhar direcionado para o campo de estudos das relações raciais no Brasil, intenta, a partir de etnografia, observação participante em eventos, realização de entrevistas com interlocutores diversos e análise documental de acervos públicos e privados, recompor a trajetória pouco estudada de Neusa Santos e refletir sobre os atravessamentos que partem do marcador racial e de gênero, que suscitam diferentes olhares e leituras sobre a sua memória e obra. Na produção de uma articulação interpretativa sobre obra e trajetória de uma intelectual negra brasileira, a tese discute dimensões relevantes das relações raciais no Brasil e dos debates fomentados em torno do racismo no presente, apontando suas atuais tensões, disputas e transformações. Incorporando discussões contemporâneas acerca das noções de racialização, memória, epistemicídio, branquitude e colonialidade, a pesquisa espera ser uma contribuição para a interlocução dos campos psis e sociais, atestando a importância de olhar para o enlace subjetividade-raça, a partir da compreensão da capilaridade inconsciente da “raça”.

Coordenação: Luiza Freire Nasciuti
O projeto de pesquisa visa analisar as relações entre parentesco, política e memória a partir do campo de ativismo de familiares de vítimas da violência de Estado no Brasil contemporâneo. Em perspectiva comparativa com experiências referidas a outros tempos históricos e países da América Latina, o objetivo é examinar as estratégias empreendidas pelos familiares das vítimas para reagir à violência de Estado, visibilizar seus mortos e abrir os caminhos legais para a responsabilização de agentes do Estado acusados de violações aos direitos humanos. Pretende-se, assim, problematizar como esses familiares, ancorados nas relações de parentesco com as vítimas da violência, atribuem sentido às suas próprias experiências e identidades, ao passo que buscam legitimidade social para suas demandas e ações políticas. O intuito é explorar como noções sobre política, família, identidade, justiça e verdade são produzidas e significadas por esses familiares em sua militância e vida cotidiana.  
Coordenação: Liliana Sanjurjo

3. Violência urbana, militarização e políticas de segurança

Em andamento

Este projeto de pesquisa tem como objetivo central compreender as diversas expressões que o fenômeno da militarização tem assumido no Rio de Janeiro (capital) e municípios da Baixada Fluminense. A militarização – seja no âmbito da segurança pública, seja em sua dimensão política e ideológica, enquanto militarismo – tem se tornado cada vez mais tema de debate público, desde a década passada. No nosso estado, especialmente, o tema da violência urbana tem sido enquadrado a partir do que chamamos de militarização, sobretudo a partir da experiência das Unidades de Polícia Pacificadora e da intervenção federal na segurança pública que as sucedeu. Neste sentido, trabalhamos com a hipótese que a militarização se constitui como uma forma de governo ou ainda como um dispositivo, orientado para o disciplinamento e gestão dos pobres e de seus territórios, sendo portanto operado por uma pluralidade de atores e desenvolvendo-se em uma variedade de contextos. Buscando compreender este fenômeno, este projeto se estrutura a partir de cinco eixos de investigação: i) militarização da vida em territórios periféricos; ii) militarização, mercantilização e produção do espaço urbano; iii) militarização e instituições tutelares; iv) circulação da militarização e perspectivas comparadas; e v) resistências e desvios possíveis em contextos militarizados. Para tanto, utilizaremos metodologia qualitativa etnográfica, mesclando: i) observação participante junto a grupos de ativistas, instituições e seus funcionários e moradores de localidades onde a gestão da vida se dá por alguma forma de controle armado; ii) análise documental – na perspectiva da etnografia de documentos; e iii) pesquisa bibliográfica. O grupo de pesquisadores que apresenta esta proposta se organiza em uma rede de núcleos com reconhecida experiência e contribuição no campo dos estudos sobre violência urbana e territórios periféricos, e pretende com este projeto avançar na produção de conhecimento científico sobre o tema.

EDITAL FAPERJ Nº 28/2021 PROGRAMA DE APOIO A PROJETOS TEMÁTICOS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.
Coordenação: Marcia Leite

O cenário da violência urbana no Rio de Janeiro vem se modificando nos últimos vinte anos. Apostamos, como hipótese analítica, que essas mudanças vêm ocorrendo pela presença cada vez mais significativa de grupos de milicianos que disputam o controle armado dos territórios. A atuação desses grupos tem sua origem e expansão principalmente nas favelas e conjuntos habitacionais localizadas em bairros da Zona Oeste. Essa expansão resultou em um aumento nas disputas pelos territórios tanto entre os diversos grupos que surgiram ao longo desse período, quanto desses com as já conhecidas facções criminosas que tem no tráfico de drogas sua característica principal. O projeto aqui apresentado tem como objetivo analisar as complexas dinâmicas que envolvem esses conflitos e os efeitos das mudanças nas formas de atuação de grupos armados, especialmente nos territórios em disputa, sobre os moradores de favelas e suas organizações locais. Nos territórios identificados como em disputa, a categoria guerra é constantemente acionada tanto pelos moradores quanto pelos meios de comunicação de massa para explicar os conflitos e justificar as mudanças nas rotinas dos moradores, alteradas e posta em risco de forma constante. Contudo, percebemos que também estão sendo ampliadas ações e práticas culturais realizadas em espaços públicos que se contrapõe ao cenário de violência experimentado no cotidiano. Nesse sentido, também é objetivo da pesquisa identificar esses coletivos, mapeando suas atividades e formas de atuação nos territórios.

Coordenação: Monique Carvalho

O objetivo central é compreender as modalidades de atuação de grupos criminosos que operam nas periferias do Rio de Janeiro, principalmente em bairros da zona oeste, desde o início dos anos 2000. Partindo do pressuposto de que a violência urbana apresenta um novo elemento denominado popularmente como milícia espera-se analisar as formas de atuação desses grupos, os dispositivos utilizados para garantir o controle do território e assim identificar os efeitos na vida cotidiana dos moradores.

Coordenação: Monique Carvalho

Finalizadas

A população do Rio de Janeiro tem seu cotidiano impactado pela atuação de diferentes grupos armados em territórios periféricos, porém tal atuação tem se modificado substancialmente nas décadas mais recentes. Assim, pretendemos com este projeto contribuir para um melhor entendimento das mudanças e continuidades dos grupos armados na capital fluminense em um cenário de reconfiguração do crime e dos criminosos, a partir de pesquisa de cunho qualitativo e de inspiração etnográfica, tendo como objeto o cotidiano dos moradores de seis territórios periféricos do Rio de Janeiro, divididos em três categorias: territórios em disputa; territórios consolidados sob domínio de um tipo de grupo armado (facção ou milícia); territórios sob controle de novas modalidades de atuação armada.Nos diferentes campos estaremos interessados em observar: a) tipo de presença territorial; b) relação com as organizações locais; c) composição social do grupo de criminosos; d) recursos econômicos explorados (venda de drogas no varejo, serviços, ocupação imobiliária, extorsão de comerciantes, recursos naturais, dentre outras); e e) relação com a população local, tendo como foco prioritário as relações de gênero e geracional.Portanto, buscamos compreender como se produz os diferentes tipos de cerco (Machado da Silva, 2008) em cada um desses territórios e como isso tem afetado as diferentes sociabilidades e produzido diferentes constrangimentos, riscos, dificuldades, incertezas e resistências. Com isso, trazemos o problema do controle social para a dimensão real e objetiva, contribuindo para a reflexão de como esses grupos armados agem, na prática, e assim, subsidiando iniciativas políticas de enfrentamento, enfraquecimento e desarticulação dessa conjuntura criminal.

Coordenação: Monique Carvalho e Lia Rocha
O projeto de pesquisa consiste em compreender a imbricação entre as dinâmicas de militarização e mercantilização da cidade, o ciclo de megaeventos realizados no Rio de Janeiro (2007-2016) e a reprodução de desigualdades sociais, econômicas e políticas, a partir da análise do caso do Rio de Janeiro em contraste com a experiência em outros estados e países. Neste projeto, portanto, articulamos a análise do Projeto de “Pacificação” das favelas cariocas para incluir os impactos da realização de megaeventos na última década e, mais recentemente, da intervenção federal na área da Segurança Pública no Estado do Rio de Janeiro. Portanto, produzir um balanço analítico sobre o que foram os últimos dez anos no que tange o tema da Segurança Pública no estado torna-se tarefa fundamental. Dessa forma, são objetivos desta pesquisa: a) produzir um balanço sistemático sobre o que foi a experiência das UPPs na cidade do Rio de Janeiro; b) investigar os termos da produção da “militarização da vida social” e seus desdobramentos, como a intervenção federal em curso, em favelas com e sem UPPs; e c) compreender a imbricação entre militarização e megaeventos, a partir da análise de casos localizados no Rio de Janeiro e em outros estados e países. Em termos de sua metodologia, a pesquisa se desenvolverá a partir de dois eixos: i) pesquisa etnográfica em uma favela que recebeu uma UPP (no caso, a favela do Batan, na Zona Oeste) e outra que não recebeu UPP (no caso, Vila Vintém, também na Zona Oeste), visando compreender de forma comparativa os efeitos da militarização nos territórios de pobreza da cidade em favelas fora de seu eixo central; e ii) pesquisa documental e bibliográfica, visando compreender e comparar esses casos com os de outras cidades e estados brasileiros, e também com a experiência de outros países que sediaram megaeventos (Espanha, Grécia e África do Sul, inicialmente).
Coordenação: Lia de Mattos Rocha
Desde 2008 o assunto ‘urbano’, no Rio de Janeiro, está dominado pela implementação e consolidação do projeto das Unidades de Polícia Pacificadora nas favelas cariocas. Tal projeto não só mobiliza a opinião pública e os poderes estatais (e seus parceiros) como também moradores da cidade e pesquisadores. Contudo, a cidade não está contida no projeto de ‘pacificação’; diversas outras dinâmicas relacionadas à produção do espaço urbano, suas tensões, conflitos e resistências estão em curso, mas ficam ‘invisibilizadas’ pela predominância que o tema da Segurança Pública, e especificamente o processo de ‘pacificação’, ocupa na agenda pública. Nesse sentido, a cidade do Rio de Janeiro possui ‘pedaços’ (e ‘assuntos’) sobre os quais joga-se luz, e outros mantidos à sombra. O próprio foco de análise na cidade do Rio de Janeiro desconsidera sua profunda relação com a região da Baixada Fluminense, e contribui para esse jogo de luz e sombras. Neste sentido, este projeto de pesquisa tem por objetivo investigar em uma perspectiva contrastante processos sociais que estão ocorrendo nas áreas ‘à sombra’ das políticas públicas, da mídia, do mercado e do interesse da opinião pública, de forma a identificar ali as formas em curso de administração e controle de territórios e populações. A partir do diálogo com um referencial teórico preocupado com as formas pelas quais o estado se faz presente em territórios considerados ‘à margem”, e com as maneiras através das quais esse estado produz novas margens e se reproduz nelas, nossa investigação terá especial interesse em compreender como estão estruturados os ‘encontros’ entre ‘sociedade’ (populações, organizações, coletivos) e ‘estado’ nessas ‘margens’. Para tanto, realizaremos pesquisa de cunho qualitativo e inspiração etnográfica junto a ‘pedaços’ (territoriais e temáticos) e populações específicos do Rio de Janeiro: bairros da Zona Oeste e da Baixada Fluminense sob impacto de processos de reforma urbana e políticas públicas de segurança, populações que desafiam o ordenamento urbano em suas vivências da cidade (como pessoas em situação de rua, ativistas de ocupação de espaços públicos), favelas que estão fora dos circuitos de ‘mercantilização’ que têm dominado esses territórios
Coordenação: Lia de Mattos Rocha
Projeto de pesquisa desenvolvido através de uma parceria entre o CIDADES – Núcleo de Pesquisas Urbanas (UERJ) e a FASE-Rio. Foi realizado no âmbito do plano de trabalho aprovado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro durante processo de seleção de bolsista do Programa Nacional de Pós-Doutorado (PNPD/CAPES). O projeto foi pautado pelo interesse em compreender especificidades de uma forma de governo de territórios e corpos a partir de casos de estupro de mulheres ocorridos durante ocupações militarizadas dos mesmos territórios, bem como outras violências de estado que atingem diretamente as mulheres em contextos de militarização.
Coordenação: Juliana Farias
O objetivo mais geral desta pesquisa é analisar, no processo de reestruturação da cidade em curso, as racionalidades e os agenciamentos que buscam constituir diferentes regimes territoriais no Rio de Janeiro, como um processo contínuo de produção de ordem e exceção, formalidade e informalidade, limite e transgressão em territórios diversos. Neste sentido, ainda que mantenha meu foco privilegiado nas favelas e em seus moradores (enquanto as “margens” mais “tradicionais da cidade), reconheço a relevância heurística de não isolar esses territórios e populações, introduzindo uma dimensão comparativa com outros espaços de camadas populares no Rio de Janeiro. A hipótese geral consiste em que, no contexto de reestruturação do Rio de Janeiro como “cidade de negócios”, cuja face mais evidente é a preparação do Rio de Janeiro para sediar os chamados “grandes eventos”, o lugar das favelas (como de outras “margens” ou periferias) na cidade está em questão. Considero estar em curso a produção de regimes territoriais diversos para os atuais lugares de “margem” no Rio de Janeiro, que depende de um certo “trabalho de tempo” e do sucesso/insucesso de diversos dispositivos governamentais e não governamentais que vêm sendo acionados com este objetivo. Dessa angulação, um de meus objetivos específicos é analisar os dispositivos governamentais e não governamentais de gerenciamento dos atuais territórios de “margem”, em que novos agenciamentos são realizados “de fora para dentro” e estimulados para que se reproduzam “de dentro para fora”, combinando a normalização de seus moradores e sua inserção no mercado através do empreendedorismo, como condição para a inclusão social que postulam e lhes oferecem. Outro é a análise das relações que os moradores estabelecem com esses dispositivos sob diferentes aspectos. Projeto PQ-CNPq e Prociência/FAPERJ/UERJ, com bolsa IC/FAPERJ.
Coordenação: Marcia Leite

4. Artes, estética e representações do urbano

Em andamento

O presente artigo irá abordar os benefícios que a criação de um museu ferroviário em Teresópolis no bairro Beira Linha poderá trazer no intento de conservar a memória da antiga estrada de ferro e dos patrimônios ferroviários existentes, assim como contribuir com o desenvolvimento territorial e o turismo cultural no município. Iremos observar e analisar os simbolismos contidos nestes patrimônios, para interpretá-los sob a ótica da paisagem cultural e também analisando antigas fotografias que remetem ao trem. Naquele ano de 2008, foi realizada uma exposição sobre a Estrada de Ferro Teresópolis na sede da Secretaria Municipal de Turismo de Teresópolis, onde estava estagiando e havia por parte do Poder Público Municipal, em especial a Secretaria Municipal de Turismo, montar um projeto com intenções de se constituir um museu da estrada de ferro para preservar essa memória. Mas que, todavia, não saiu do papel. Iremos também neste artigo discutir como surgiu essa ideia do projeto e uma breve história da estrada de ferro, suas origens até sua dissolução, assim como a temática do turismo cultural e como ele pode ajudar a desenvolver este segmento Teresópolis.

Coordenação: Arthur Esteves

A atual proposta tem como objetivo investigar a relação entre memória, arte e cidade a partir da presença da temática racial e seus conflitos em uma perspectiva interseccional e de(s)colonial. Para tanto, irá estudar homenagens artísticas feitas a personagens e personalidades negres e racializades; e a ação de artistas negres e racializades que têm muros e ruas da cidade como suporte e espaço preferencial de suas práticas artísticas evocando símbolos, figuras, personagens anônimos ou não que se relacionam à história das populações negras, racializadas e marginalizadas. A memória coletiva é entendida aqui como estando em permanente disputa e construção e o espaço urbano como espaço indispensável para sua feitura. Sendo assim, busca-se nas ruas e muros intervenções que promovem o elo entre história(s) de populações silenciadas e a reivindicação de outros modos de conceber e contar tais histórias (pessoas, datas e lugares) através da arte.

Coordenação: Patricia Lânes

O objetivo deste projeto de extensão é articular uma rede de agentes de promoção turística atrelados à categoria “subúrbio carioca” visando fortalecer pautas e demandas comuns ao grupo nos desafios para a realização dessas iniciativas. Nesse movimento, nos interessa contribuir com saberes e metodologias científicas para o aperfeiçoamento das ações turísticas, refletindo esse universo temático e o que emerge de tais práticas em um espaço urbano marcado por representações sociais negativas.

Coordenação: Frank Andrew Davies

A pesquisa tem como objetivo estudar o pensamento e a trajetória de artistas-pensadoras negras, indígenas e historicamente racializadas/es que vêm sendo mobilizadas em estudos de(s)coloniais, contra coloniais e pós-coloniais contemporâneos. Tomo como ponto de partida para investigação os trabalhos e trajetórias das artistas afro-diaspóricas Grada Kilomba e Rosana Paulina, referências para a reflexão decolonial no Brasil. Interessa aqui perceber de que maneira ambas articulam produções artísticas e acadêmicas percebidas e interpretadas como decoloniais, considerando suas exposições e obras artísticas, publicações acadêmicas e participações no debate público. Pretende-se, ainda, conhecer como tais contribuições articulam as temáticas da memória coletiva e do trauma colonial, questões caras para se pensar colonialidades do ser, do saber e do espaço (entre outras).

Coordenação: Patricia Lânes

Finalizadas

xxx.

Coordenação:  Lia Rocha